12.12.05

BOA MARÉ...



Ainda a estrada que nos trouxe de Sevilha não arrefeceu, já nós estamos a caminho de Itália… Dizem-me que Salerno é de uma beleza inspiradora, mas as horas intermináveis de viagem, a chuva imensa e a velocidade a que esta pequenas paragens estão sujeitas, só me deixam realçar uma outra beleza, que me deixa o coração bem cheio.

Múrcia foi um belo concerto, Sevilha foi um excelente concerto e Salerno… foi O Concerto dos últimos tempos! O meu CCB é especial, por razões óbvias, mas existem noites maravilhosas e depois existem noites mágicas, onde tudo conspira para nos fazer flutuar com aquilo que fazemos. Quem pisa um palco sabe do que estou a falar. Quem não o faz, precisa que lho conte…

Sem se perceber bem, existem pequenos momentos num concerto que funcionam de gatilho e despoletam uma imensidão de coisas. Talvez em Salerno tenha sido a “Triste Sina” que sempre nos serve de referência nos concertos. Como se o fado imenso que transporta tomasse conta de nós; e nos desse a confiança da sua intemporalidade ou, simplesmente, da sua força. Nos temas a seguir, como se uma mola nos movesse, “atirámo-nos” ao público, à música, às emoções que pareciam transbordar.

O público italiano é profundamente caloroso e nada sabe melhor que ouvir, de vez em quando, “Brrrava”, como só eles sabem dizer. Se calhar foi a sedução de Itália que nos tocou; ou então tivemos a sorte daqueles dias inspirados que acontecem sem nós dominarmos. Recordei também, por graça “Canzone per te” numa versão muito simples, apenas para ter a oportunidade de dizer a todos, incluindo os meus bravos guerreiros, “Ma oggi devo dire che … ti voglio bene”.

E não há nada melhor no mundo que ouvirmos alguém dizer-nos que nos quer bem…

1 Comments:

At 11:57 da manhã, Anonymous António said...

Lendo o texto aqui deixado pela Mafalda, sobre a sua última deslocação a Itália, revi, de imediato, a “estória” de alguns dias por mim vividos, em Agosto último, nesse país, mais propriamente na região de Génova, província da Ligúria.
A sedução que a Mafalda encontra nesse país, o calor que emana das suas gentes, a musicalidade profunda da sua língua e a beleza, incontável se não vivida, das suas montanhas, das suas águas, das suas pequeninas praias que parecem aconchegar-se entre rochedos imensos é, de facto, algo de muito marcante.
Acredito que tenha sido uma noite mágica, até porque só esse poderia ser o resultado de um momento certamente marcado pela emoção e o sentido de partilha que a Mafalda coloca em tudo o que faz, em tudo o que dá.
Aconselho-vos a, se a oportunidade se deparar, rumarem até esses recantos.
A visitarem, por exemplo, o Parque Nacional das Cinqueterre, cerca de 70 km a sul de Génova.
Ali poderão encontrar cinco pequenas aldeias alinhadas, em ângulos perfeitos, sobre rochas seculares ou dispostas em cacho em minúsculas enseadas.
Uma verdadeira obra de arte, ocupando posição bem marcante, num país onde elas não escasseiam!!
A Itália do “pandolce”, do “pesto” ( o mais famoso e típico dos molhos regionais) ou dos “baci” (beijinhos) de Albenga, (pequenas bolinhas de maçapão de avelã e chocolate negro), com um sabor enriquecido através de vinhos locais, como o “Pigato” ou o “Vermentino”.
Um país de tantas cores, sabores e amores, que só nos poderá também sempre obrigar a dizer:
“Italia...ti voglio tanto bene!!”.

Releve-se-me alguma “falta de pudor” ou “impertinência” em relatar experiências e momentos de certo modo pessoais, mas penso que aqui também haverá espaço para falarmos um pouco do “Diário” de cada um de nós, partilhando sempre um pouco daquilo que nos emociona, com a certeza absoluta de que só essa mesma partilha dará o verdadeiro e justo sentido aos nossos dias, às nossas vivências.

Obrigado Mafalda, pela “boleia”...
Grazie mille e bacini tanti.
:-)

ps: curiosamente, hoje vejo publicado um novo escrito da Mafalda, agora sobre Geneve e os encantos que lá viveu, o calor indizível que recebeu, sobretudo o prazer único, inenarrável, que só o reencontro com aqueles que amamos pode proporcionar.

Os meus quatro amigos italianos, vivem e trabalham todos em Geneve!!
Não pude, pois, deixar de sorrir e de, mais uma vez, relembrar pessoas que, fisicamente tão distantes, estão afinal aqui tão perto.

E se há quem diga que na vida não existem milagres..eu, bem pelo contrário, acredito que tudo o que a Vida nos dá é um milagre!
Mania?!
Se calhar....
:-)

 

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